Assim como os avanços da tecnologia, o comportamento de compra do brasileiro mudou nos últimos anos. A facilidade de encontrar todos os tipos de produtos na rede mundial faz com que 93% dos brasileiros tenham como costume pesquisar no Google antes de fazer uma compra. Essa estatística é mostrada pelo estudo State of Search Brazil, de 2021.
Uma pesquisa mais recente apresenta informações complementares: o consumidor atual gosta de se informar para fechar um carrinho. A melhor maneira para isso (isso é, a mais rápida) é: ver os comentários de outros compradores.
Pode parecer que não há problema algum nisso, afinal, quem não gosta de comprar sem ter que sair de casa? Contudo, há uma camada nas plataformas de compra que quem está do outro lado da tela não pode ver: a pirataria crescente. Em 2024, as apreensões da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) em e-commerces, avaliadas em R$ 24 milhões, ultrapassaram os R$ 18 milhões registrados em lojas físicas.
Essa pauta foi abordada durante a segunda edição do “Desbravando Caminhos para o Comércio de Bens e Serviços sem Fraude”, organizado pela Abrapem e Remesp no dia 13 de agosto.
Trazendo uma perspectiva direcionada à venda de peças automotivas pirata, Alexandre Xavier, superintendente do Instituto da Qualidade Automotiva (IQA), compartilhou uma estratégia que ajudou o setor a se fortalecer contra fraudes, que é a união das entidades que representam o segmento na criação de um documento informativo direcionado à população, o Guia de Segurança para compra online de peças automotivas.
Com a abertura do mercado brasileiro em 1990, foi liberada a entrada de marcas, veículos e componentes automotivos, tanto de alta quanto de baixa qualidade. Então, em uma união entre o governo e o setor automotivo, com representantes de montadoras, fabricantes de autopeças, concessionárias, oficinas mecânicas e a academia, foi criado o IQA com o objetivo de “zelar pela qualidade e buscar soluções para que o Brasil alcance patamares superiores”, nas palavras de Xavier.
“A transformação digital é uma das inegáveis macrotendências que impactam não só o setor automotivo, como a sociedade hoje em dia. E foi objeto de um desses grupos de trabalho. Ao discutir a transformação digital, a principal dor definida por todos esses entes foi o comércio irregular de autopeças de reposição”, explica o representante do IQA.
Esse ambiente problemático é influenciado por alguns fatores, conta ele: “presença de produtos pirata, falta de informações obrigatórias em plataformas de comércio eletrônico, venda de peças usadas, inclusive peças que nem poderiam ser, por exemplo, remanufaturadas, e que são vendidas dentro dessas plataformas, e por fim, venda de selos falsificados. Um exemplo é o capacete para motociclista.”
Para orientar cidadãos, fabricantes, distribuidores e plataformas em transações seguras de autopeças, o IQA lançou Guia de Segurança, uma maneira de mitigar a presença da pirataria nos sites de comércio digital. O material foi desenvolvido pelo Grupo de Transformação Digital da Comissão Técnica da Qualidade do IQA (CTIQA), que é composta por especialistas de entidades como Anfavea, Abipeças-Sindipeças, montadoras, distribuidores e órgãos reguladores.
“O combate ao comércio irregular e à concorrência desleal só começa com ações conscientes, e isso depende de cada um de nós. Todos que estão aqui no ‘Desbravando Caminhos’ têm um papel nesse contexto”, encerrou.
Carlos Amarante, presidente da Abrapem, comentou entender as dificuldades expostas pelo representante do setor automotivo e observou que parte das ações empreendidas por ambas as entidades, ABRAPEM e IQA, são semelhantes assim como os desafios, como por exemplo a educação do público consumidor. “A ABRAPEM publicou recentemente uma cartilha de orientação para que o consumidor possa melhor identificar balanças irregulares e criou um selo de qualidade, chamado de “Compromisso Metrológico” justamente para premiar as empresas de comércio eletrônico, e outras, que cuidam da observância quanto ao atendimento das diversas obrigações legais que regem o segmento metrológico e tem muito o que podemos fazer em parceria”, complementou Amarante.



