O fechamento da fábrica da Michelin em São Paulo, motivado pela importação maciça de pneus da Ásia, acende um alerta em diversos setores. Assim como com os pneus, outros mercados também sofrem com a entrada de produtos, nem sempre regulares no mercado nacional.
A ABRAPEM destaca a gravidade da entrada irregular de balanças e instrumentos de medição no país — situação que afeta a indústria nacional, prejudica consumidores e ameaça empregos. De acordo com estudo divulgado pela própria ABRAPEM, com base em dados do Inmetro e levantamentos da entidade, aproximadamente 9,1% das balanças eletrônicas usadas no comércio brasileiro são irregulares.
Isso representa 100 mil balanças irregulares para cada milhão de unidades em operação. O levantamento, realizado em 2024, revelou ainda que essas irregularidades podem causar um erro médio de até 10% na medição de alimentos vendidos por peso, gerando um prejuízo estimado de R$ 2,10 por pessoa, por mês, nas regiões metropolitanas — cerca de R$ 25,22 ao ano. Em cidades do interior ou regiões remotas, o impacto pode chegar a R$ 15,40 mensais por pessoa, ou R$ 184,77 ao ano.
O estudo também mostra que o impacto financeiro da entrada desses produtos vai além do consumidor final. Apenas com as 100 mil balanças irregulares estimadas em circulação, o governo brasileiro deixa de arrecadar cerca de R$ 35 milhões por ano, considerando a perda de taxas de verificação metrológica e tributos como ICMS, IPI e PIS/Cofins.
Outro dado alarmante está no comércio eletrônico. Somente em 2024, foram removidos 4.437 anúncios de balanças irregulares em duas plataformas digitais de grande alcance, como resultado de monitoramento e ações de denúncia feitas pela ABRAPEM em parceria com o setor público. No total, entre 2021 e 2024, quase 14 mil anúncios de produtos irregulares foram identificados e removidos das plataformas digitais.
Além do prejuízo direto, a entrada de instrumentos sem certificação eleva o custo operacional no setor de logística e e-commerce, como apontou um estudo conjunto entre a ABRAPEM e a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), divulgado neste ano. O levantamento mostra que o uso de balanças imprecisas ou não certificadas contribui para erros no cálculo de fretes e no processamento de encomendas, afetando toda a cadeia logística.
Diante desse cenário, a ABRAPEM alerta para a necessidade de intensificar as fiscalizações nas fronteiras, no comércio físico e especialmente nas plataformas digitais, a fim de garantir a proteção ao consumidor, a competitividade da indústria nacional e a preservação de empregos no país.



