No workshop Desbravando Caminhos para o Comércio de Bens e Serviços sem Fraude, realizado em 13 de agosto na sede da FIESP, André Sussumu Iizuka, vice-presidente da ABCOMM, apresentou uma análise aprofundada sobre a evolução do comércio eletrônico no Brasil e os desafios que o setor enfrenta diante do crescimento acelerado das vendas online. O encontro reuniu representantes de associações, indústria, varejo e órgãos públicos, criando um espaço para reflexão sobre boas práticas, fiscalização e prevenção à pirataria.
Iizuka dividiu a evolução do e-commerce brasileiro em quatro ondas distintas. A primeira onda começou com varejistas que lançaram sites próprios, enfrentando resistência significativa dos consumidores, que ainda tinham receio de comprar online. “Era preciso conquistar confiança, e muitos lojistas sentiram dificuldade em engajar o público”, comentou. A segunda onda surgiu com a popularização dos marketplaces, que democratizou a venda online e permitiu que pequenos vendedores entrassem no ecossistema digital. Neste período, o uso de aplicativos como o WhatsApp, como canal de vendas, cresceu consideravelmente, criando oportunidades, mas também desafios de monitoramento e segurança.
A terceira onda correspondeu à entrada de plataformas internacionais, especialmente chinesas, com operações de cross-border. “A chegada desses produtos trouxe preços competitivos, mas também levantou questões complexas de tributação e concorrência desleal, como a conhecida ‘taxa das blusinhas’”, explicou Iizuka. Esse movimento gerou debates sobre regulamentação, fiscalização e proteção da indústria nacional. A quarta onda, mais recente, é marcada pelo modelo D2C (Direct-to-Consumer), no qual indústrias vendem diretamente ao consumidor final. Esse modelo exige maior atenção às práticas de mercado, transparência e novas regulamentações, ao mesmo tempo que fortalece o relacionamento direto entre marcas e clientes.
O vice-presidente da ABCOMM destacou que a pandemia acelerou todas essas transformações, tornando o comércio eletrônico não apenas uma opção, mas uma necessidade para a sobrevivência do setor. No entanto, junto com o crescimento vieram problemas como falsificação de produtos, concorrência desleal e dificuldades de fiscalização, que se intensificaram no ambiente online. Iizuka citou exemplos concretos de produtos falsificados, incluindo medicamentos, suplementos, itens de nutrição animal e produtos de higiene, que podem gerar sérios riscos à saúde pública. Entre os casos mencionados, estavam vitamina C falsificada, leite adulterado e shampoos irregulares, ressaltando a gravidade da questão.
Para enfrentar esses desafios, a ABCOMM tem atuado de forma estruturada, participando de fóruns setoriais, do Conselho Nacional de Combate à Pirataria e de grupos de trabalho do MDIC e da Anvisa. “Nosso objetivo é unir forças, propor ações conjuntas e criar mecanismos de proteção para lojistas e consumidores”, afirmou Iizuka. Entre as iniciativas estão a criação de selos de qualidade, manuais de boas práticas e guias de venda segura, especialmente voltados para produtos regulados ou de alto risco.
Outro ponto destacado foi o uso da tecnologia e da análise de dados como ferramentas estratégicas. Segundo Iizuka, pesquisas acadêmicas, dados de mercado e grupos de trabalho setoriais ajudam a antecipar tendências, identificar irregularidades e estruturar soluções práticas para o comércio eletrônico. A parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), no Núcleo de Estudos do E-Commerce, foi citada como exemplo de colaboração que fornece estudos e indicadores essenciais para decisões regulatórias e estratégicas.
A palestra reforçou a importância da cooperação entre empresas, associações e órgãos reguladores, como IPEM, Inmetro e Receita Federal, para enfrentar os desafios do e-commerce. “A integração é fundamental para criar um ambiente seguro, sustentável e confiável, garantindo concorrência justa, proteção ao consumidor e fortalecimento do comércio digital”, concluiu Iizuka.
Ao detalhar a evolução do setor, os riscos da pirataria e as iniciativas de prevenção, a palestra evidenciou que o sucesso do e-commerce brasileiro depende da união de esforços entre todos os atores da cadeia produtiva, combinando educação, fiscalização e tecnologia para construir um ecossistema mais transparente e seguro.
A impressão final foi altamente positiva. Carlos Amarante, presidente da Abrapem, que, em parceria com a Remesp, realizou a segunda edição do “Desbravando”, comentou que está seguro ser possível ampliar a colaboração já existente hoje entre a entidade que preside e a ABCOMM para encontrarem uma forma de manter o dinamismo do comércio eletrônico, mas com a observância das leis que regem tanto a metrologia como outros segmentos industriais removendo as irregularidades hoje presentes e que tanto mal causam à economia brasileira.



